Na noite do último dia 11 de março, o CRA-SP deu início a uma nova fase de eventos presenciais em sua sede com o primeiro encontro do Experiência ADM, um projeto que oferece palestras e painéis exclusivos para os profissionais registrados no Conselho.
No discurso de abertura, o presidente do CRA-SP, Adm. Alberto Whitaker, destacou que, após um hiato de seis anos em razão da pandemia, o reencontro representava mais do que a volta de um evento técnico, mas o retorno da proximidade, do networking e da troca de experiência que só o contato humano permite. Whitaker também discorreu sobre o tema da noite, bem como os assuntos que serão abordados nos próximos dois encontros do projeto: Gestão de Pessoas e ESG.
Ainda na ocasião, o presidente falou sobre os eventos presenciais que acontecerão nas cidades de Campinas, Santos e Ribeirão Preto, e o programa de desenvolvimento profissional que será lançado para os registrados ainda este ano. “Queremos que o administrador registrado tenha suporte real para se requalificar, dominar novas ferramentas e ocupar posições de liderança”, ressaltou.
Na sequência, o tema Tendências e Inovação foi discutido em um painel que reuniu os profissionais Alfredo Passos, especialista em Inteligência Competitiva e autor de 17 livros; Taiguara Langrafe, vice-reitor da FECAP e doutor em Administração; e Viviane Oliveira, Cybersecurity Director e Customer Success na Microsoft, que debateram sobre “A Administração em movimento: o novo papel do gestor diante das mudanças do mercado e da sociedade”.
Logo na primeira rodada de perguntas, Viviane afirmou que “não existe inovação sem pessoas”, defendendo que a adoção de IA e automação só produz resultado quando há preparo humano, capacidade de liderança e desenvolvimento interno.
Na mesma linha, Langrafe alertou que muitas organizações ainda colocam “tecnologia na frente e gente depois”, o que, em sua visão, compromete a efetividade da transformação. Já Passos reforçou que as empresas precisam pensar em “pessoas e depois tecnologia”, sob risco de apenas correr atrás da ferramenta do momento.
No decorrer do debate, a inteligência artificial foi mencionada mais como um recurso que exige critério, propósito e repertório e menos como uma solução mágica. Passos defendeu que o diferencial do gestor não estará em dominar apenas a ferramenta, mas em saber formular perguntas melhores, interpretar informações e tomar decisões de maior qualidade.
Outro ponto discutido no painel foi a preparação dos futuros administradores. De acordo com o vice-reitor da FECAP, as instituições de ensino vêm se mobilizando para formar profissionais com mais capacidade analítica, empreendedora e adaptativa. Para ele, o fato de acessar ferramentas digitais não significa, necessariamente, possuir competências tecnológicas consolidadas, especialmente quando se trata de análise, comunicação e resolução de problemas.
A cibersegurança também foi um dos assuntos debatidos e, sobre isso, Viviane defendeu que a segurança da informação não deve ser vista como entrave ou custo isolado, mas como uma habilitadora do negócio. Ao abordar o conceito de security by design, ela explicou que pensar segurança desde a concepção de produtos, serviços e processos reduz riscos, evita retrabalho e torna a experiência mais fluida para clientes e equipes.
No final da rodada de perguntas para os especialistas, o público teve a oportunidade de questioná-los sobre o tema e, na sequência, participaram de um coffee break, onde puderam interagir e trocar experiências.
Inovação como eixo estratégico para a competitividade
Após o intervalo, os participantes prestigiaram a palestra ministrada por Ricardo Pelegrini, CEO da Quantum4 Innovation Solutions. Logo no início, ele questionou a ideia de que inovação seria apenas um modismo e defendeu que o investimento de tempo e atenção no tema é uma necessidade estratégica para países, empresas e profissionais.
Para sustentar esse argumento, Pelegrini relacionou inovação a produtividade de longo prazo, competitividade econômica, geração de novos negócios e desenvolvimento social, destacando que sociedades mais inovadoras tendem a apresentar também melhores indicadores de desenvolvimento.
Pelegrini também mencionou que o Brasil ainda ocupa uma posição desfavorável na corrida global por inovação e chamou a atenção para a distância entre o tamanho da economia brasileira e seu desempenho em inovação, além do baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento. Na sua avaliação, o país precisa enfrentar esse desafio de forma mais coordenada, com maior protagonismo do setor privado e melhor articulação entre empresas, universidades e poder público.
Outro tópico importante abordado pelo CEO foi a necessidade de aprendizado contínuo. Ele comentou que o profissional que encara a formação superior como uma etapa final tende a perder espaço em um ambiente marcado por tecnologias emergentes e mudanças aceleradas. “O gestor precisa desenvolver repertório suficiente para entender conceitos, acompanhar aplicações e fazer perguntas melhores sobre o impacto das transformações tecnológicas no mercado, na empresa e na própria carreira”, comentou.
Ao final da palestra, os participantes puderam novamente fazer perguntas relacionadas ao tema para o convidado, reforçando assim a proposta do Experiência ADM: oferecer experiências presenciais de aprendizado, conexão e desenvolvimento profissional.