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Notícias 20 mar 2026 dev_braso

Relações humanas é tema central do segundo dia do Experiência ADM

Relações humanas é tema central do segundo dia do Experiência ADM

Encontro aprofundou a discussão sobre como a liderança moderna exige inspiração, escuta qualificada e cultura organizacional ”vivida”, e abordou a reinvenção estratégica das empresas em tempos de incerteza

Aconteceu, no último dia 18 de março, na capital paulista, o segundo encontro do Experiência ADM, projeto do CRA-SP que contempla três eventos presenciais exclusivos para os profissionais registrados. Nesse dia, os debates focaram em temas decisivos para o presente e o futuro das organizações: pessoas, liderança e gestão.

Na abertura da programação, o presidente do Conselho, Adm. Alberto Whitaker, reforçou o propósito dos encontros presenciais como espaço de troca, networking e desenvolvimento profissional, destacando a importância das relações humanas para o fortalecimento da Administração e da empregabilidade dos profissionais registrados.

Em seguida, na primeira parte do evento, o público pode acompanhar o painel com Ângela Miranda, executiva de Recursos Humanos; Celso Toshio Saito, mentor de resultados, head de parcerias e docente; e Mariluci Durante, mentora de líderes e diretora empresarial.

Em suas exposições, os convidados defenderam que a liderança vai muito além do cargo formal e, para eles, há dimensões centrais da gestão de pessoas que não podem ser terceirizadas, como o exemplo, a empatia, o desenvolvimento da equipe e a atribuição de sentido ao trabalho. O debate mostrou que liderar hoje exige presença real, escuta qualificada e capacidade de inspirar pessoas em vez de apenas controlar tarefas.

Ao longo do painel, um dos consensos foi o de que não existe negócio forte sem compreensão genuína das pessoas. Nesse contexto, os painelistas chamaram atenção para a diferença entre o gestor que apenas ocupa um posto e aquele que, de fato, mobiliza seu time para resolver problemas, inovar e construir resultados coletivos. “A principal função do líder é inspirar as pessoas a obterem resultados”, disse Mariluci.

Cultura organizacional vivida, e não apenas comunicada

Outro eixo forte do painel foi a discussão sobre cultura organizacional. Os participantes criticaram empresas que exibem valores e discursos bem estruturados, mas não os sustentam no cotidiano. A defesa comum foi a de que cultura forte não é aquela que aparece melhor formulada na parede ou no site, mas a que se manifesta nas relações, nas decisões e nos comportamentos de todos os dias. “A cultura apenas bem comunicada é a pontinha do iceberg. A cultura forte é aquela massa imersa”, exemplificou Angela.

A conversa também abordou a importância de alinhar propósito, processos e práticas de liderança. O debate destacou que uma organização só se fortalece quando suas regras e estruturas são acompanhadas de humanidade, coerência e clareza sobre o papel de cada pessoa dentro do negócio. Saito ainda reforçou a importância de as pessoas entenderem o porquê estão fazendo os processos, pois além do propósito é necessário compreender se determinada atividade, feita repetidamente, ainda faz sentido para o momento atual.

Carreira, retenção e o desafio das gerações

Na sequência, o painel avançou para um tema decisivo no mercado atual: a capacidade do gestor de conduzir conversas estratégicas sobre carreira e retenção. A ideia central apresentada foi a de que o líder precisa conectar os objetivos da organização às aspirações individuais, criando sentido para a trajetória profissional de cada integrante da equipe.

Na parte final, com participação da plateia, o painel trouxe para o centro da discussão problemas reais vividos pelas organizações, como a convivência entre gerações, a inclusão de perfis diversos e a dificuldade crescente de contratar e reter jovens profissionais. Houve destaque para a necessidade de ambientes mais acolhedores, inteligentes e coerentes com as expectativas contemporâneas de trabalho.

Para Mariluci, as empresas devem adequar as recompensas oferecidas e os líderes precisam ter conversas sinceras com os jovens da geração Z, para entender o que eles esperam do trabalho. “Tudo para o jovem precisa ter um objetivo e isso nem sempre tem a ver com dinheiro. Às vezes, o esforço deles pode ser retribuído com uma folga, um dia de home office, uma sexta-feira com meio expediente, ou seja, algo que faça sentido para a vida deles”, exemplificou.

As perguntas do público ratificaram que o desafio da liderança hoje não está apenas em exigir adaptação dos mais jovens, mas também em rever modelos de gestão, rotinas e condições de trabalho que já não dialogam com parte importante da mão de obra disponível.

Liderança em tempos de incerteza

Encerrando a noite, César Souza, presidente do Grupo Empreenda, ampliou o debate ao propor uma reflexão sobre liderança em tempos de incerteza. Segundo ele, o cenário atual exige líderes capazes de compreender a complexidade do ambiente econômico, social e organizacional, sem romantizar a realidade e nem paralisar diante dela. Em sua avaliação, a angústia provocada por esse contexto pode se tornar combustível para criatividade, reinvenção e busca de soluções.

Ao tratar da gestão contemporânea, Souza defendeu que empresas e líderes precisam repensar seus modelos de negócio, investir em capacitação voltada ao futuro e fazer perguntas incômodas, mas necessárias, como: qual é o prazo de validade da sua empresa? A partir dessa provocação, ele destacou que sobreviverá melhor quem souber se reinventar antes que o mercado imponha a mudança. ‘Quando você está num ambiente de incerteza é preciso ter uma estratégia minimamente definida”, disse.

Sucessão e saúde como agendas inadiáveis

Um dos momentos mais marcantes da palestra foi a discussão sobre sucessão. César afirmou que muitas empresas ainda cometem o erro de qualificar apenas o sucessor, ignorando que o processo também exige preparar aquele que está saindo para um novo papel, uma nova forma de contribuição. “Cuidem do sucessor e do sucedido. Se o sucedido não tiver um projeto de vida, ele não vai largar o osso. Aposentar não é aquele aposento, aquele quartinho em que você fica deitado, vendo televisão, esperando a morte chegar”, ressaltou.

Ele também chamou atenção para o impacto da pressão e da instabilidade sobre a saúde mental, lembrando que organizações e líderes precisam tratar com seriedade os efeitos humanos de um ambiente cada vez mais exigente. Para ele, a liderança do presente e do futuro exige coragem, lucidez e compromisso com soluções.