Dando continuidade a programação da Semana Temática de Empreendedorismo na Prática, o CRA-SP recebeu, na tarde de terça-feira, Adriana Barbosa, presidente do Instituto Feira Preta, plataforma que há 16 anos fortalece e valoriza a cultura negra no Brasil. Contando a sua história de superação e, também, de enormes desafios, Adriana mostrou a importância de pensarmos na representação da população negra, que hoje já representa 56% dos brasileiros e é a grande maioria de microempreendedores individuais no país.
“‘Por que não olhamos para a potência que a população negra representa para o país? O Brasil não é sustentado pelas grandes organizações, mas sim pelas micro, pequenas e médias empresas, na qual a população negra tem grande participação”, defendeu Adriana, mostrando que essa é uma questão que vai muito além do social. “O capital está a serviço de quem produz e de quem consome. Se nós não incluirmos 56% da população, isso quer dizer que metade do país não está inserido nesse capital, ou seja, está à parte da economia”.
Questionada sobre como o profissional negro está se preparando para uma gestão adequada do seu negócio, Adriana relembrou questões recentes da história brasileira e que, ainda hoje, influenciam essa jornada empreendedora. “Logo após a abolição da escravatura, os negros foram colocados à margem, sem educação, sem moradia, etc. Essa falta de estrutura determinou muito sobre a forma como os negros empreenderam, que foi partir da escassez e da falta de dinheiro e, consequentemente, sem capacitação. As gerações mais novas, de 20 e 30 anos, já começam a vir sob essa nova perspectiva, de que é necessário adquirir o conhecimento para conseguir desenvolver o seu negócio, mas esse, por enquanto, ainda é um processo de transição”, finalizou.