CRA-SP
Notícias 12 abr 2018 dev_braso

O futuro do ensino superior de Administração em pauta no CRA-SP

O futuro do ensino superior de Administração em pauta no CRA-SP

No último dia 11 de abril, o CRA-SP, com o objetivo de debater as múltiplas mudanças implementadas pelo Ministério da Educação (MEC) e os seus impactos diante das novas exigências e realidades do mundo atual, promoveu o evento “Os desafios do Ensino Superior de Administração Frente ao Mundo Exponencial”.

Em sua sede, o Conselho recebeu nomes importantes do cenário educacional e, também, da área tecnológica, que expuseram a importância de ensinar aos estudantes conteúdos atuais e conectados ao que o mercado de trabalho requer. Na abertura do evento, o presidente do CRA-SP, Adm. Roberto Carvalho Cardoso, falou da evolução da Administração ao longo dos últimos 70 anos. “Antigamente, quando o estudante terminava o seu curso, ele era um produto acabado. Hoje, com as atuais transformações da sociedade, ele é um profissional ainda em desenvolvimento. A academia, que antes estava totalmente desassociada da sociedade, hoje é influenciada por suas necessidades e aspirações”, defendeu.

Mundo Exponencial

Para falar sobre como as novas tecnologias estão mudando as formas de trabalho e as interações entre empresas e profissionais, o Adm. Ricardo Pelegrini, CEO e cofundador da Quantum4 Innovation Solutions e ex-CEO da IBM Brasil, mostrou que as transformações que acontecem ao mesmo tempo no mundo atual devem estar alinhadas e serem implementadas no ensino promovido nas universidades. “A academia é fundamental para que possamos acelerar esse processo de adoção de tecnologias para transformação do mercado brasileiro em qualquer setor. Não existe nenhum país no mundo líder disparado nessas novas tecnologias, principalmente as últimas como inteligência artificial, big data, internet das coisas etc. Todo mundo está na corrida tentando e por isso não existe razão para o Brasil não se posicionar nessa corrida. Entretanto, ela está acontecendo agora. Se ficarmos parados, deixando que os corredores cheguem ao km 38 para começarmos a correr, não vai dar tempo”, advertiu Pelegrini.

Em seguida, foi a vez do Adm. Carlos Monteiro, presidente da CM Consultoria, mostrar um panorama do ensino superior da Administração no Brasil e no estado de São Paulo, com base no aumento da procura pelos cursos de tecnologia, além do crescimento gradual do ensino a distância, em relação ao presencial. Monteiro lembrou, ainda, que a atual educação não está formando profissionais adequados para os dias atuais, o que torna preocupante o ensino oferecido para o futuro. “O que os alunos aprendem hoje no primeiro ano já estará obsoleto no terceiro. A grande revolução que precisamos fazer é ter professores de Administração que conheçam a área na prática, e não só nos livros ou na academia. No modelo atual, o professor só pode dar aula se ele souber fazer aquilo que está ensinando”, defendeu.

Regulação e legislação

De olho nas novas regulações do ensino superior, Mario Moraes, professor titular da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), falou como as instituições de ensino são avaliadas através do Conceito Preliminar de Curso – CPC e do Índice Geral de Cursos – IGC e de que forma essas avaliações podem fazer diferença na sustentabilidade, lucratividade e rentabilidade das organizações. A realidade, porém, conforme apresentou Moraes, é que a comunidade acadêmica sente falta de itens importantes quando se fala em métodos de avaliação. “Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – FEA em conjunto com o Conselho Federal de Administração – CFA, em 2011, identificou indicadores que os professores e coordenadores de curso em nível nacional sentem falta nas IES. Um dos primeiros itens apontados foi o compromisso da instituição, direção e professores com a aprendizagem, que atualmente nem passa pela avaliação de MEC, INEP, Seres ou SESu. Outros pontos indicados foram a questão da empregabilidade, a adequação do PPC às demandas de mercado, o equilíbrio entre formação acadêmica e formação profissional, entre outros”, mostrou.

Já para Antonio Carbonari Netto, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), muitas exigências para ensino superior atualmente não fazem mais sentido frente às atuais necessidades dos alunos e das instituições. Falando sobre sua atuação no CNE, ele compartilhou algumas mudanças que devem ser implementadas para que o ensino se torne mais dinâmico e atual. “Nós estamos criando uma diretriz curricular das diretrizes curriculares. Um exemplo é a exigência de que os cursos de bacharelado tenham 3.200 horas. Na verdade, isso deve ser uma referência e não uma obrigatoriedade. Precisamos acabar com essa camisa de força que o Ministério impõe a todo mundo. O tempo que essas horas levarão para serem completadas também não importa. As instituições devem ter autonomia para decidir, pois elas possuem projeto pedagógico, professores e doutores, ou seja, o suficiente para poderem deliberar, desde que façam certo”, defendeu Carbonari. 

Finalizando o evento, o Adm. Idalberto Chiavenato, conselheiro do CRA-SP e uma das principais referências na área da Administração, falou sobre a importância de os alunos aprenderem a teoria, mas também saberem aplicar os ensinamentos na prática. Além disso, ele defendeu a flexibilidade nos cursos, que envolve algo ainda não muito pensado: a fragmentação.“Poderíamos ter em cada curso algumas disciplinas obrigatórias e essenciais, mas em um número reduzido, possibilitando, por sua vez, mais opções de matérias optativas. Isso tudo, claro, resultará em questões de integração e coordenação que precisarão ser resolvidas pelas Instituições”, sugeriu Chiavenato.

Acompanhe a cobertura completa do evento, em breve, em nosso canal no Youtube e na Revista Administrador Profissional.