Confiança é fundamental para o sucesso profissional
Com o alerta de que “se reciclar constantemente para não ser excluída das oportunidades é uma obrigação nos dias de hoje”, a CEO da Integrow Beyond Numbers, Maria Fernanda Teixeira abriu a quinta-feira de palestras da 1ª Semana Temática Mulheres em Foco do CRA-SP.
Dando como exemplo a sua trajetória profissional, Maria Fernanda orientou a plateia, durante a apresentação do tema O papel da mulher nos altos cargos das empresas, a trabalhar para alcançar metas, mas sem abrir mão de outros papéis como, por exemplo, ser mãe.
E, para instigar as participantes a buscarem respostas para as suas inquietações, a CEO disse que é preciso romper padrões para fazer as coisas acontecerem e que, o caminho para isso, é correr riscos e acreditar no seu ideal. “Sintam-se capazes, vocês possuem as mesmas competências que os homens. O problema é que, mesmo acumulando mais tempo de estudo e mais títulos, as mulheres ainda não se acham preparadas para assumir altas posições”, exclamou.
Sobre a maior participação de mulheres em cargos de liderança, Maria Fernanda diz não entender a razão das empresas ainda não se sentirem seguras para apostar nessa nova realidade. “Se é a mulher quem decide o que comprar e quando comprar e não é ela quem está no topo dos cargos das empresas, que decisões são essas tomadas pelas organizações para atingir melhores resultados?”, questionou.
De acordo com ela, o limite para chegar aos altos cargos quem impõe são as próprias mulheres que, por medo de falhar, desistem de tentar. “Seja marketable e saiba se vender. Só você sabe quais são as suas competências e aonde quer chegar. Decida ser a melhor e entregue os melhores resultados. Só assim você alcançará o topo”, finalizou.
Marketing: a arte de entender o seu cliente
Uma aula de marketing! Foi essa a sensação que os participantes do painel A importância do marketing na construção de grandes marcas e os desafios do mercado nacional tiveram ao ouvir as convidadas Anna Chaia, diretora-presidente da Samsonite para o Mercosul, Flávia Bittencourt, diretora-geral da Sephora no Brasil e Mônica Orcioli, diretora-geral da Swarovski Professional para a América Latina, na tarde desta quinta-feira, na sede do CRA-SP.
Mediadas por Sandra Turchi, sócia-diretora da Digitalents, as painelistas compartilharam com a plateia um pouco de suas histórias profissionais e, a exemplo da Swarovski, explicaram como utilizam o branding para se diferenciar da concorrência. “O trabalho realizado, que caracteriza os cristais da Swarovski como os mais valiosos do mundo, fornece atributos à marca que endossam os produtos dos parceiros, tornando-os 44% mais caros”, disse Mônica sobre os mais de 1000 parceiros ao redor do mundo, que associam as suas marcas aos “ingredientes” Swarovski, tais como Louis Vuitton, Gucci, Hermés, Cartier, Prada, entre outras.
De acordo com Flávia, a arte de fazer marketing está no storytelling, ou seja, “como contar a história da marca para o cliente e explicar porque ele tem que escolher você”. Durante sua participação, ela contou como a empresa de telecomunicações “Oi”, a única companhia brasileira sem dinheiro para subsidiar aparelhos telefônicos – que na época de sua passagem pela companhia eram vendidos bloqueados – conseguiu driblar o problema e fazer com que a Anatel proibisse a venda de celulares bloqueados no país. “Fizemos uma pesquisa e descobrimos que uma das insatisfações dos clientes era a falta de liberdade de buscar a melhor oferta. Iniciamos uma campanha na televisão e conseguimos 200 milhões de assinaturas contra o bloqueio. Conseguimos a proibição e nos livramos do subsídio de aparelhos. Os chips passaram a ser vendidos em bancas de jornal. Tudo isso porque buscamos entender o cliente”, comemorou.
Já sobre a carreira, Anna Chaia que, com pouco mais de 20 anos participou ativamente do projeto de lançamento do primeiro cartão internacional no Brasil, o marketing deve fazer parte constante de nossas vidas. “Eu sou o meu próprio produto. Se eu não souber construir a minha própria carreira, ninguém fará isso por mim. Sejam embaixadoras de si próprias para poderem progredir”, pediu.
É possível conciliar tudo o que queremos!
Encerrando atividades da quinta-feira na Semana Mulheres em Foco, a sede do CRA-SP recebeu Danielle Brants, fundadora da startup Guten, Paula Paschoal, diretora-geral do PayPal e Raquel Zagui, vice-presidente de RH & SHE da Heineken Brasil, no painel Carreira, diversidade e maternidade pelo olhar de jovens executivas e empreendedoras, que foi mediado por Silvia Fulgler, consultora da Great Place to Work.
Através da trajetória profissional das convidadas, o público acompanhou os desafios que a sociedade e o mercado de trabalho impõem às mulheres. De acordo com Raquel, é importante que as próprias profissionais entendam que é possível fazer tudo o que desejam. “Para construir uma carreira feliz, bem-sucedida e ter a posição que eu tenho ainda jovem, eu não precisei abdicar de ser mãe e de falar, em determinado momento, que eu não poderia me mudar de cidade. Dá para conseguir tudo, só precisamos seguir um pouco o coração e ter coragem”, acredita. Falando sobre as empresas, no entanto, Raquel enfatizou que as lideranças devem entender as necessidades das pessoas individualmente, inclusive dos homens, para que a mulher não fique sobrecarregada nas relações.
Paula contou que no PayPal os valores são bem fortes e baseados em quatro pilares: bem-estar, diversidade, inclusão e colaboração e que isso representa, na prática, 54% da liderança estar na mão de mulheres, deixando de lado o estigma de que a mulher não pode ser uma boa profissional por questões pessoais. “Quando eu voltei da minha primeira licença-maternidade, depois de quatro meses, eu era uma profissional muito mais preparada, entendendo muito melhor o tempo das pessoas e as prioridades na vida. Naquele momento eu comecei a enxergar algumas coisas que eu não tinha noção antes e isso me tornou uma gestora muito melhor”, relatou.
Para as palestrantes, as redes de apoio que a mulher precisa para desempenhar seus vários papeis na sociedade são essenciais e isso vai muito além de momentos específicos, como a maternidade. “Você tem que saber se a sua rede de apoio é efetiva, se ela está realmente disposta a te amparar e, para isso, você precisa solicitar ajuda. Pedir é extremamente importante e isso o homem faz muito bem, principalmente no ambiente de trabalho, por isso nada mais justo que façamos uso disso também”, incentivou Daniele.