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Notícias 22 mar 2018 dev_braso

Fiamma Zarife, Daiana Garbin, Marta Celestino e Mylene Ramos foram os destaques da Semana Mulheres em Foco do CRA, desta terça-feira

Fiamma Zarife, Daiana Garbin, Marta Celestino e Mylene Ramos foram os destaques da Semana Mulheres em Foco do CRA, desta terça-feira

“Você só sonha com aquilo que você vê”

A diretora-geral do Twitter, Fiamma Zarife, abriu o segundo dia de palestras da 1ª Semana Temática Mulheres em Foco do CRA-SP, nesta terça-feira, 20 de março, no auditório Manacá, sede do Conselho.

Com muito bom humor, Fiamma conduziu a palestra Mulher na era digital: as transformações nos modelos de negócios, e falou sobre como aproveitou a sua representatividade à frente do Twitter no último ano, para assumir para si a responsabilidade de inspirar mulheres e promover a diversidade e inclusão. “Como mulher, a questão do gênero chega na frente para mim, mas a diversidade tem que ser tratada, também, nas questões de orientação sexual, credo etc. Uma ação só não muda o mundo, mas pode formar uma teia de transformação para inspirar outras empresas a se engajarem”, disse.

De acordo com Fiamma, que participou de muitas revoluções tecnológicas durante a sua trajetória profissional como, por exemplo, a implantação do Internet Banking, a mulher precisa aprender a não se sabotar frente às oportunidades. “Quando se faz algo bem feito, as oportunidades vão aparecendo e, para aproveitá-las, é importante não almejar a perfeição. A arrogância de tudo saber não leva ninguém a lugar nenhum”, constatou.

Sobre a equidade na liderança do Twitter, Fiamma afirma que a empresa multinacional é uma bolha, com 50% de mulheres à frente de cargos de gestão, mas que entende que ainda existe muito preconceito e que é preciso catequizar. “Por ser uma empresa muito nova, o Twitter já nasceu com outro DNA. Recebe, agrega e é muito amigável à adversidade. Mas cultura é um exercício diário, se não for praticada diariamente, ela se perde”, explicou, antes de finalizar com a frase: “Você só sonha com aquilo que você vê. Eu quero que meus filhos olhem para mim e sonhem, acreditem que podem seguir seus sonhos e vencer, assim como eu.”

“A revolução feminina está em dar poder de comando para a sua vida”

Em uma apresentação emocionante, a jornalista Daiana Garbin conseguiu, por meio da palestra Ditadura da beleza: a busca pela imagem perfeita, realizada na tarde desta terça-feira, na sede do Conselho, envolver todos os presentes na discussão sobre a indústria da beleza que, segundo ela, tem como estratégia fazer as mulheres se sentirem inadequadas fisicamente. “Quanto mais perfeitas forem as modelos das propagandas, mesmo aquelas cujos corpos são sabidamente manipulados por softwares de edição, mais dinheiro a gente vai gastar para ficar igual a elas”, instigou.

  Durante a palestra, Daiana lembrou que o sonho da vida dela era pesar menos de 50kg, mas que hoje, pesando 70kg, consegue entender que o essencial mesmo é cuidar do corpo para envelhecer com saúde e feliz.

Como dica para as participantes, Daiana pediu: “Parem de julgar o corpo das outras mulheres. O valor do outro não está na quantidade de gordura corporal”. Depois, afirmou categoricamente que a fragilidade da mulher está no medo de se sentir rejeitada, humilhada e criticada, mas que tentar se encaixar em padrões, só provocará problemas emocionais e psicológicos. “Nós somos humanas. Nosso corpo não é uma fotografia no Instagram. Se não aprendermos a ser felizes hoje, ficaremos aprisionadas para sempre, no nosso corpo e na vida. Essa é a próxima revolução da mulher: parar de ter vergonha de quem é e dar o poder de comando para a sua vida”, determinou.

Para finalizar, a jornalista, que durante 22 anos lutou para se enquadrar no padrão “irreal de beleza” pediu: “Permita-se gostar de comer, de saborear com calma um alimento que você goste. O seu corpo não está errado, ele não é uma massinha de modelar. Você merece ser amada, merece ser feliz. Aceite mudar de pensamento.”

A quem pertencem os desafios da mulher negra?

Em uma noite repleta de discursos fortes e com muita consciência negra, o CRA-SP recebeu as palestrantes Marta Celestino, diretora de marketing e novos negócios na Ebony English e Mylene Ramos, juíza na 20ª vara do Trabalho em São Paulo, na apresentação Mulher e negra: um duplo desafio

Com uma fala engajada sobre o combate ao racismo e preconceito existente no Brasil, Marta ressaltou que todos nós precisamos enfrentar o problema de frente para que a mentalidade atual seja transformada. “A lição para a sociedade, para as famílias e para a mídia é deixar de estereotipar e hipersexualizar a gente, porque enquanto o meu corpo valer mais do que o meu cérebro, tanto faz se eu for morta ou assediada no trabalho”, disse Marta.

Ela também ressaltou que a população negra não deve esquecer de suas origens quando consegue superar as barreiras do preconceito e do racismo, mas sim voltar à sua comunidade para retroalimentar o conhecimento e espalhar informações nas escolas, na periferia, nos locais onde, ainda, muitas pessoas não têm conhecimento de que também podem ir atrás dos seus sonhos e objetivos.

Para Mylene, a teoria da igualdade no mercado de trabalho ainda está muito longe de ser aplicada no dia a dia. “Temos um arcabouço de proteção legal que, na prática, não funciona. O que tem dado certo são iniciativas isoladas de empresas que mantém programas de inclusão para a mulher negra em seus negócios. Mas ainda é necessário que mais organizações entendam que essa questão de desigualdade e de gênero é um problema social”, defendeu Mylene.

Ela mostrou que, apesar das dificuldades, as mulheres negras estão à frente dos homens nos estudos, mas que essa realidade não reflete o que, de fato, acontece no ambiente empresarial, pois ainda hoje são elas as primeiras a serem demitidas e as últimas a serem recolocadas.