Mesmo consciente de que falar sobre o futuro da administração é uma tarefa difícil, ainda mais quando o público ouvinte é formado por profissionais de alto nível, o professor titular da Fundação Getúlio Vargas, Fabio Luiz Mariotto, aceitou o desafio e compareceu à sede do CRA-SP na tarde desta segunda-feira, 4 de junho, para participar da reunião do Instituto do Pensamento Estratégico – IPE, com o objetivo de contribuir e ampliar as discussões acerca do assunto.
De acordo com Mariotto, debater tendências gerais da gestão é um exercício intelectual, porque o tipo de administração adotado pelas organizações depende de muitas variáveis, incluindo fatores externos. No entanto, afirmou, “a tendência é de uma gestão organizacional menos enfatizada pela hierarquia, com empresas migrando para o formato de atuação em rede”.
Em sua apresentação, o professor explicou que, no Brasil, devido à instabilidade econômica que estagnou o crescimento, muitas oportunidades de modernizar a tecnologia no país foram perdidas, mas que uma possível fonte de inovação começa a surgir com as pequenas e médias empresas, especialmente nas novas, as startups, deixando para trás uma tradição cultuada nos EUA, em que o estudo da administração se concentrava nas grandes empresas. “Agora, o estudo começará a se preocupar com as pequenas empresas”, contou.
Para finalizar, o especialista enfatizou: “As grandes empresas hoje são virtuais, mas não deixarão de haver açougues, minas de ferro, porque as pessoas não vão deixar o mundo concreto. Elas [as pessoas] estão agora fascinadas com o mundo digital, que está produzindo grande eficiência nas operações, especialmente na burocracia das empresas, mas produtos físicos continuarão existindo, porque nós, as pessoas, somos físicas.”