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Notícias 04 maio 2018 dev_braso

CRA-SP sedia evento sobre integridade e combate à corrupção

CRA-SP sedia evento sobre integridade e combate à corrupção

A sede do CRA-SP sedia, no dia de hoje, o evento “Conversas para a Integridade” promovido pela Alliance for Integrity, iniciativa global fomentada por inúmeras partes interessadas e que proporciona apoio às organizações no combate à corrupção. O encontro contou com a participação de representantes de sete países da América Latina e teve como objetivo debater a importância da comunicação do programa de integridade, principalmente nas médias e pequenas empresas, e as formas que podem ser utilizadas para atingir colaboradores de diversos níveis e meios.

Na abertura do evento, o conselheiro e Adm. Rogério Góes agradeceu a presença dos participantes e reforçou que o CRA-SP, como signatário do Pacto Global, reconhece a importância de atividades que buscam por melhores práticas nas organizações.

Em seguida, a vice-diretora da Alliance, Claudia Lorek de Araujo, enfatizou que a corrupção afeta a estabilidade do estado de direito e que as pequenas e médias empresas são as que mais sofrem com essas ações, uma vez que não possuem recursos para combater as atividades ilegais. Ela salientou, ainda, a importância da integridade nas organizações para a continuidade dos negócios.

O evento contou, também, com o reconhecimento aos treinadores globais mais comprometidos, que ajudam na transmissão dos conhecimentos em diversos países. Uma das homenageadas foi a integrante do Grupo de Excelência em Administração Legal do CRA-SP, Roberta Codignoto, por sua trajetória ao longo dos anos à frente das ações desenvolvidas tanto no Brasil como em outros países da América Latina.

Pequenas atitudes que geram enormes mudanças

Uma das convidadas no evento, a Promotora de Justiça Luciana Asper trouxe importantes constatações sobre o Brasil atualmente, debatendo como a sociedade deve se engajar e contribuir para uma mudança de paradigma, deixando de lado toda a história cultural de colonialismo e partindo para uma nova identidade. Para ela, um primeiro passo já foi dado e é o reconhecimento da população de que a corrupção é a raiz de todos os nossos outros males, como a falta de saúde, segurança e educação adequadas.

“Hoje conhecemos o nosso iceberg e essa é a parte boa do cenário atual. É um engano achar que nós, que possuímos educação e melhor nível de vida, não somos atingidos pela corrupção. Enquanto nós pagamos por esse problema com dinheiro, os mais pobres pagam com as suas vidas, com a falta de saúde e com a ignorância em que vivem. Que tipo de exclusão é essa que um país tão rico como o nosso aceita como se fosse normal?”, questionou Luciana.

Para ela, a responsabilidade pela enorme quantidade de políticos corruptos não é só do cidadão que se vende por um caderno ou uma cesta básica, mas de todos nós. “Costumamos culpar sempre as mesmas pessoas, mas todos somos responsáveis pelos políticos que desviaram milhões e pelas pessoas dentro das organizações que se venderam. Esses cidadãos saíram das nossas escolas e da nossa sociedade, por isso a responsabilidade é compartilhada”, defendeu.

Uma das soluções para que a prática da corrupção acabe dentro das empresas, segundo Luciana, é a mobilização entre os líderes das organizações, que devem recusar propostas desonestas e ir à público denunciar essas condutas. A parte mais difícil, porém, ainda é educar a população para que honestidade volte a ser um item primordial em nossas vidas. “Não temos como desvincular a corrupção de hoje das nossas pequenas atividades cotidianas, como a falsificação de uma meia entrada ou coisa parecida. Precisamos começar a transição para uma cultura de integridade, que se dará através de um processo. Não será da noite que haverá essa transformação, mas devemos iniciar e promover isso”, disse Luciana.