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Notícias 09 abr 2026 dev_braso

Administração em transformação: especialistas discutem desafios da gestão em um mundo cada vez mais complexo

Administração em transformação: especialistas discutem desafios da gestão em um mundo cada vez mais complexo

O CRA-SP promoveu, nesta quinta-feira (9), mais uma edição do projeto Conexão CRA-SP, desta vez em Campinas, no escritório regional do Sebrae. O encontro, que teve como tema central “Perspectivas de atuação do Administrador: Assessoria, Consultoria e Gestão Estratégica”, reuniu profissionais e estudantes para discutir os caminhos da Administração diante de um cenário marcado por rápidas transformações tecnológicas e organizacionais.

A abertura ficou por conta do presidente do CRA-SP, Adm. Alberto Whitaker, que destacou a importância de iniciativas que aproximam o Conselho dos profissionais do interior e litoral do estado, além de reforçar o papel estratégico da área de assessoria e consultoria. “Em um mercado cada vez mais complexo, o papel do consultor e do gestor torna-se o diferencial competitivo entre o sucesso e a estagnação de um negócio”, afirmou.

Na sequência, o gerente regional do Sebrae Campinas, Nilcio Freitas, trouxe dados que evidenciam a crescente demanda por orientação especializada. Segundo ele, apenas em 2025 foram realizados 801 mil atendimentos pela entidade, todos conduzidos por pessoas. A fala foi complementada por Gabriela Pereira, gestora do programa SOMA em Campinas, que apresentou a iniciativa voltada ao credenciamento de empresas e consultores para atender clientes do Sebrae, destacando a oportunidade para profissionais interessados em atuar no segmento.

Um novo papel para o administrador

A primeira palestra foi conduzida por Vicente Picarelli, sócio-diretor da Picarelli Human Consulting, que propôs uma reflexão sobre a evolução da Administração diante de um mundo em constante mudança.

Segundo ele, a velocidade das transformações supera a capacidade de adaptação das organizações e dos próprios profissionais. “Hoje lidamos com imprevisibilidade, complexidade, interdependência e isso é uma nova realidade. Não voltaremos mais ao que era antes”, afirmou.

Para Picarelli, o desafio atual vai além da técnica. “Nas empresas, e em muitos projetos, existem boas estratégias, mas não temos uma execução que seja eficiente, que traga resultados, porque temos modelos mentais do passado”, explicou. Nesse contexto, ele destacou que o principal entrave é humano e não necessariamente técnico.

Ao traçar a evolução da profissão, o especialista apontou que o administrador deixou de atuar apenas na melhoria de processos para assumir um papel mais abrangente. Hoje, segundo ele, trata-se de um “arquiteto organizacional”, capaz de integrar pessoas, processos e ambiente para criar condições favoráveis aos resultados.

Ele também apresentou três frentes de atuação: a assessoria, voltada ao pensar; a consultoria, direcionada à transformação; e a gestão estratégica, responsável pela tomada de decisão.

Outro ponto de destaque foi a necessidade de lidar com paradoxos da gestão contemporânea, como eficiência versus inovação e controle versus autonomia. “Não é sobre escolher o lado certo, é sobre sustentar os dois. Simplificar a gestão é o primeiro passo para a gente errar”, alertou.

Picarelli ainda reforçou o caráter social da Administração. “Administração não é uma função apenas empresarial, ela tem impacto direto na sociedade. Porque empresas geram riquezas, instituições geram confiança e sociedades geram prosperidade. Administrar é construir o futuro”, concluiu.

O impacto do ecossistema digital

Na sequência, Ronaldo Fragoso, Chief Growth Officer da Deloitte Brasil, trouxe uma análise sobre o avanço do ecossistema digital e seus reflexos na atuação dos administradores.

Para ilustrar a dimensão dessas transformações, ele destacou o valor de mercado das grandes empresas de tecnologia. Segundo Fragoso, apenas a Apple supera, sozinha, o valor de todas as empresas brasileiras, e a maioria das companhias mais valiosas do mundo já pertence ao setor tecnológico.

Diante desse cenário, ele foi direto: “O administrador do futuro que não souber gerir um ecossistema, não terá futuro”. Para ele, o foco da atuação tende a se deslocar cada vez mais para as interferências externas das organizações. “A nossa atribuição como administrador vai ser muito mais entender o ambiente externo do que o interno de uma empresa”, afirmou.

Fragoso também chamou atenção para a necessidade de revisão dos modelos de governança, que ainda não estão preparados para a realidade digital. Segundo ele, a forte dependência das empresas em relação às tecnologias exige uma abordagem mais estruturada. “Se eu tenho uma dependência tão grande de determinada tecnologia, eu tenho que me preocupar muito mais do que apenas pagar por ela”, explicou.

Embora reconheça as diferenças entre empresas de grande porte e pequenos negócios, ele ressaltou que até mesmo as pequenas e médias empresas precisam estabelecer requisitos mínimos de governança para lidar com esse novo contexto.

Participação do público e reflexões sobre o futuro

O evento contou com a participação ativa do público, que trouxe questionamentos relacionados aos temas abordados, principalmente aqueles que versam sobre os impactos das mudanças no ambiente de trabalho. Entre os assuntos discutidos, o estresse e o aumento dos casos de burnout ganharam destaque.

Para Picarelli, a questão está diretamente ligada à preparação das lideranças. Segundo ele, muitos gestores ainda não estão prontos para lidar com as demandas emocionais e comportamentais de suas equipes, o que agrava o cenário.

Outro ponto abordado foi o posicionamento do Brasil no ecossistema digital. Fragoso destacou que o país possui vantagens competitivas, especialmente por ainda estar em fase de aprendizado, o que abre espaço para inovação. “Alguns vão ganhar e outros vão perder, assim como tudo na vida”, afirmou. Ele também mencionou o potencial da matriz energética brasileira, que tem atraído o interesse de grandes corporações para a instalação de data centers.

Por fim, o tema do autoconhecimento também entrou em pauta. Picarelli sugeriu o uso do eneagrama como ferramenta para compreender melhor as relações profissionais e o ambiente organizacional. Segundo ele, o instrumento permite identificar padrões de comportamento e antecipar dinâmicas interpessoais.

Com a presença de 35 profissionais de Administração, o encontro reforçou a proposta do Conexão CRA-SP de levar conhecimento e promover reflexões relevantes sobre os desafios contemporâneos da Administração.