O Grupos de Estudos em Tecnologia Digital – GEETD e o de Gestão de
Instituições em Ensino Superior – GEGIES receberam, na manhã do dia 22 de
agosto, Jarkko Wickstrom, adido de Educação na Embaixada
da Finlândia no Brasil, que falou sobre o sistema de educação daquele país,
considerado uma das maiores referências no mundo.
O palestrante mostrou, de forma descontraída, que
não há nada de tão incomum no modo como a educação é gerida no país e que a
grande diferença é a valorização que se dá ao professor, às individualidades
dos alunos e às diferentes realidades de cada local.
Wickstrom contou que a Finlândia sofreu muitas
mudanças a partir da década de 70, quando a maior parte da população migrou
para os centros urbanos, o que ocasionou a reorganização das escolas e uma
reforma no sistema educacional. Ele mostrou que, atualmente, dos 5,5 milhões de
moradores do país, 74,6% já completaram o ensino médio ou superior.
Dentro das escolas, o professor tem autonomia para
decidir o melhor método a ser aplicado por ele, considerando suas próprias
habilidades, as características dos alunos e as necessidades da região onde a
escola está instalada. Para isso, é exigido que todos os docentes que lecionam,
seja no ensino fundamental, médio ou superior, tenham, no mínimo um mestrado,
que deverá ser realizado em organizações indicadas pelo governo. “Não é
possível que um professor não saiba o que fazer com um estudante que tenha
dificuldade de aprendizagem ou algum tipo de necessidade especial, por exemplo.
Isso seria o mesmo que um médico não conseguir identificar o que um paciente
tem e o mandar para casa. Essa situação é inaceitável”.
O palestrante mostrou que a divulgação dos
resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), nos quais a
Finlândia aparece em primeiro lugar em três edições, foi uma surpresa para o
governo, pois eles acreditavam que a sua educação precisava melhorar muito.
“Quando você está satisfeito, o desenvolvimento para”, analisou Wickstrom, ao
constatar que talvez essa insatisfação seja a origem do bom desempenho
contínuo.
Ele contou, ainda, que a Finlândia não aplica testes
internamente para avaliar as escolas de forma individual, pois o mais
importante é que todos tenham acesso à educação, às mesmas possibilidades. Por
isso mesmo, todas as instituições de ensino do país são públicas, com exceção
de algumas universidades que, após a divulgação dos resultados do PISA,
começaram a receber uma grande quantidade de alunos estrangeiros e que, por
isso, passaram a cobrar pelo ensino de estudantes de fora da União Europeia.
Falando sobre o Brasil, Wickstrom deu um indício do
que pode faltar em nosso país. “O Brasil tem boas escolas, mas não possui um
sistema integrado que organize isso”, opinou.