Diversidade de gênero para a continuidade dos negócios
Para finalizar a série de eventos da Semana Mulheres em Foco, foi a vez de Andrea Weichert, sócia da Ernst &Young (EY) trazer para o debate as implicações da desigualdade entre homens e mulheres nas empresas e na economia, tanto nacional como mundial, nesta sexta-feira, 23 de março. Na palestra Liderança feminina, empreendedorismo e disrupção, Andrea mostrou que existem cinco principais discrepâncias neste contexto: a ausência de percepção da realidade, a falta de dados concretos, o estímulo à carreira, as diferentes percepções e perspectivas entre homens e mulheres e, por fim, a evolução, que diz respeito a como as organizações e a economia irão perder receitas enquanto houver a desigualdade.
Andrea indicou um ponto importante no que diz respeito à percepção: “Quando a gente pergunta quais são as principais barreiras para as mulheres assumirem uma posição de liderança, a maior parte dos homens responde que são os conflitos para criar uma família e o baixo número de candidatas femininas, enquanto as mulheres dizem ser a falta de apoio e o preconceito organizacional”, mostrou Andrea, lembrando que atitudes inconscientes em ambos os sexos, como fazer uma seleção de brinquedos de meninos e meninas, nos ajudam a fomentar esse preconceito.
Todos esses desencontros frente à presença e promoção das mulheres no mercado de trabalho, porém, têm um preço: “De acordo com dados apresentados no último Fórum Econômico Mundial, em Davos, poderiam ser adicionados ao PIB mundial $5.3 trilhões até 2025 se tivéssemos melhorado apenas 25% da desigualdade de gênero. Isso em termos de tributos equivaleria a $1.4 trilhão, sendo que $940 bilhões seriam apenas em países emergentes como o Brasil. Imagine, então, o que poderíamos fazer em termos de infraestrutura com a nossa fatia desse dinheiro”, mostrou Andrea.
Para as profissionais, a palestrante deixou dicas valiosas quanto à postura a ser adotada para que seu potencial seja reconhecido. “A mulher precisa mudar a tendência de não pedir aumento salarial, de não requisitar promoções de cargo, de não mostrar, seja para o seu gestor direto ou indireto, o seu potencial, pois muitas vezes se você não falar, você não será notada, apesar do trabalho desenvolvido”, finalizou.