Na noite desta segunda-feira, 14 de maio, o ex-secretário municipal de Saúde de São Paulo e ex-CEO do Hospital Sírio Libanês, Gonzalo Vecina Neto, ministrou a palestra de abertura da 1ª Semana Temática da Administração em Saúde, realizada na sede do Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP, para um público estimado em cerca de 150 pessoas.
Sob o título A saúde pública e privada no Brasil e o papel dos profissionais da Administração, a apresentação levantou questionamentos quanto ao futuro da gestão da saúde no país, nos quais Vecina trafegou de forma contundente, sem deixar de lado o contexto histórico do setor, a transformação das cidades com o movimento de migração e de apontar os responsáveis pela atual simbiose entre saúde e gestão. “O mundo da gestão ganhou complexidade e poder econômico em todos os setores nas últimas décadas e essa transformação levou profissionais de outras áreas, que não a da saúde, para os cargos de liderança de grandes hospitais dessa cidade”, contou.
Vecina também foi enfático ao afirmar que é errada a ideia de que tudo o que é estatal é público e que tudo que é particular é privado. “Existe uma lógica econômica dentro do setor de saúde e fazemos muita confusão quando falamos em estatal e privado. O particular é o que é meu, mas uma organização privada é pública, pois ela serve à sociedade e se não houver um mercado competitivo e regulado, ela pode sofrer intervenção do Estado. Na administração estatal, o Estado utiliza o dinheiro das pessoas e, fazendo isso, tem que dar condições de igualdade”, explicou.
De forma bastante direta, Vecina alertou que o importante na gestão da saúde é fornecer os resultados que a sociedade necessita e que, para isso, é preciso melhorar a gestão, alterar o modelo de “cuidado de atenção”, uma vez que as AMAs – Assistências Médicas Ambulatoriais – segundo ele, não suprem à demanda médica na cidade de São Paulo. Outro ponto que, de acordo com o ex-secretário, necessita de atenção, é a questão da unificação da tecnologia, para a administração da saúde. “Existe o sistema de absorção de tecnologia para pobres, que é o CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e o sistema de absorção de tecnologia para ricos, chamado TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar). Em cada um desses modelos, os remédios oferecidos são diferentes. É preciso ter um único sistema de absorção de tecnologia no Brasil, que sirva para os dois e que o governo seja capaz de custear”, alertou.
Para finalizar, Vecina listou cinco características tidas com importantes para o gestor de saúde: capacidade de saber onde está; capacidade de liderar e respeitar as pessoas; criatividade e inovação e compromisso social. E pediu: “Estamos no limite de nossas capacidades de financiamento e funções sociais. Precisamos destravar o país. E não há jeito de construir uma democracia sem ser pelo voto ou de governar uma sociedade moderna sem democracia. Não podemos deixar de participar do movimento de construção desse país”.