A última edição do projeto Conexão ADM, promovido pelo CRA-SP, aconteceu nesta terça-feira, 14 de abril, em Ribeirão Preto, no escritório regional do Sebrae. Com o tema “Perspectivas de atuação do Administrador: Assessoria, Consultoria e Gestão Estratégica”, o encontro reuniu profissionais e estudantes interessados em compreender os caminhos da Administração diante de um ambiente cada vez mais dinâmico e tecnológico.
Os palestrantes convidados deste último encontro do projeto foram Fernando Lage, head da Prática de Advisory Regional Centro na KPMG Brasil, e Sidney Ito, CEO do ACI – Instituto de Governança e do Board Leadership Center e sócio da KPMG Brasil.
Retomada dos encontros presenciais
Na abertura do evento, o presidente do Conselho, Adm. Alberto Whitaker, destacou a retomada das atividades presenciais após o período da pandemia. Segundo ele, a decisão do CRA-SP foi não apenas voltar ao formato físico, mas também ampliar a atuação para o interior do estado. “Agradeço o Sebrae pela parceria e pelo acolhimento”, afirmou, acrescentando que novas iniciativas já estão sendo planejadas.
Representando o Sebrae, a gestora de negócios Naiana Vieira Bazan Nogueira agradeceu a presença dos participantes, reforçou a importância da parceria com o CRA-SP e destacou a confiança na instituição. “A casa está disponível para outros projetos”, ressaltou. Na sequência, a gestora de projetos Luciana Leal apresentou o programa SOMA, iniciativa que busca empresas e consultores para atender clientes do Sebrae. Durante sua fala, explicou o processo de credenciamento, etapas de inscrição e alinhamento metodológico, abrindo espaço para perguntas e interação com o público.
Governança corporativa e gestão de riscos em foco
A primeira palestra foi conduzida por Ito, que iniciou sua apresentação com uma reflexão histórica sobre o ambiente empresarial. Ao citar um levantamento da década de 1980, destacou que muitas das maiores empresas da época desapareceram ao longo do tempo, seja por fusões ou fraudes, evidenciando a importância da governança. “Os EUA foram protagonistas em evoluir as práticas de governança por conta das práticas negativas”, afirmou, ao comentar os escândalos corporativos que impulsionaram mudanças no mercado.
Ito também abordou o crescimento do mercado de capitais no Brasil, destacando fatores como a redução da taxa Selic em 2018 e o aumento do investimento estrangeiro. Em seguida, apresentou a evolução das práticas de governança corporativa e seus impactos no ambiente empresarial. “Boas práticas de governança atraem bons investidores, melhoram a precificação da empresa, facilitam o processo de sucessão familiar e reduzem riscos reputacionais”, explicou.
O palestrante ainda destacou o aumento da preocupação das empresas com a gestão de riscos. Segundo ele, além dos riscos tradicionais – financeiros, regulatórios e operacionais -, temas como reputação, conduta ética e questões socioambientais ganharam protagonismo. “As empresas têm se preocupado mais em divulgar seus riscos e, do outro lado, há uma cobrança maior sobre como estão mitigando esses riscos”, disse.
O novo papel do administrador
Dando continuidade ao encontro, Lage abordou as transformações no papel do administrador ao longo das últimas décadas e as perspectivas para o futuro da profissão.
Ao revisitar momentos históricos da economia brasileira, destacou como mudanças estruturais impactaram a forma de gestão das empresas e reforçou a importância da atuação estratégica do administrador. “Mais do que olhar o passado, é preciso analisar potenciais riscos que podem afetar o negócio”, afirmou.
Lage enfatizou que o profissional de Administração precisa estar conectado a temas emergentes, como tecnologia, automação e geopolítica, além de compreender profundamente o setor em que atua.
Segundo ele, o administrador assume diferentes papéis dentro das organizações, como o de “trusted advisor”, construindo relações de confiança e influenciando decisões estratégicas; o de tradutor da estratégia em ações práticas; o de curador de evidências, com base em dados; e o de arquiteto do digital com segurança. “O administrador precisa entender o negócio, a estratégia e a cultura para entregar uma consultoria com valor agregado”, destacou.
Interação com o público e temas atuais
O evento contou com ampla participação do público, que levantou questões sobre temas como ESG, inteligência artificial, reforma tributária e capital humano.
Sobre o uso de tecnologia, Ito ressaltou que a inteligência artificial já é uma realidade, mas não substitui o julgamento humano. “Ela é um meio, não um fim. O fim sempre será pessoas qualificadas para utilizá-la”, afirmou, reforçando também a importância da ética nesse contexto.
Em relação ao ESG, os palestrantes concordaram que o tema ainda está em evolução nas empresas. Ito destacou que muitas organizações ainda tratam o assunto de forma superficial, enquanto Lage alertou para práticas inadequadas, como o chamado greenwashing. “O ESG precisa estar dentro do planejamento estratégico de riscos”, pontuou.
Outro ponto debatido foi o desafio do capital humano, especialmente diante das mudanças no mercado de trabalho. Os palestrantes alertaram para possíveis lacunas de mão de obra qualificada em determinados setores e regiões.
Reflexões para o futuro da profissão
Encerrando o encontro, Lage destacou que a forma de trabalho atual deve passar por transformações significativas nos próximos anos, com maior automação de atividades operacionais e valorização de competências analíticas e críticas.
O evento reuniu 69 participantes e reforçou a proposta do Conexão CRA-SP de levar conhecimento ao interior do estado e promover reflexões relevantes sobre os desafios contemporâneos da Administração.